Um ano depois de termos consciência da entrada do Covid 19 nas nossas vidas e desta adaptação inesperada a uma normalidade completamente distinta do nosso normal de vida até então, temos de saber qual o impacto na vida das famílias, e na vida das crianças que se viram privados da sua liberdade, rotinas diárias, experimentando medos, incertezas, isolamento físico e social, junto com um alto nível de stress parental.

As instituições educativas foram fechadas, shoppings, restaurantes e todas as áreas de concentração pública estão sob estrito bloqueio. O rápido aumento no número de casos de infeção e mortes, interrupção da rotina diária, confinamento em casa, medo de infeção, distanciamento social de colegas e amigos criaram um sentimento de incerteza e ansiedade entre as crianças. As medidas de contenção, embora necessárias, podem afetar adversamente o bem-estar das crianças e das famílias por várias razões.

Nestes tempos de isolamento social as crianças estão a ser expostos à excessiva cobertura dos meios de comunicação social. O tempo de exposição aos ecrãs aumentou muito, visto que estão confinadas em suas casas e com aulas virtuais em funcionamento. A exposição excessiva leva a um aumento na incidência de transtorno de Stress Pós-Traumático (PTSD) e outros transtornos de saúde mental. Há temores de que estes transtornos se possam desenvolver nas crianças devido ao uso excessivo de aparelhos eletrónicos e sociais e meios de comunicação.

A pandemia, também, está a criar dificuldades financeiras e económicas em todo o mundo, criando uma sensação de incerteza entre as pessoas. Uma pesquisa realizada nos EUA indica alto nível de sofrimento psicológico entre pessoas que sofrem de problemas financeiros. Cerca de 40% das pessoas com filhos menores de 12 anos estão com problemas financeiros, sem saberem como cuidar dos seus filhos, aumentando assim, incidências de desentendimentos familiares e maus-tratos.

As crianças pequenas sentem o stress dos seus pais e podem mostrar as suas preocupações de maneiras que os cuidadores podem interpretar como mau comportamento, comportamento de oposição, desafiador e acesso de raiva. Algumas crianças podem começar a apresentar comportamentos regressivos como chupar o dedo, acidentes na casa de banho, não se quererem vestir ou alimentar, ficar muito dependentes dos pais e exigentes, quererem ser levados ao colo, além de problemas para dormir. As mudanças no padrão de sono podem incluir dificuldade para dormir, múltiplos despertares no meio da noite, pesadelos frequentes, além de exigirem mais atenção na hora de dormir. Essas reações de stress nas crianças podem causar dúvidas e sentimentos de inadequação dos pais, dificuldade de compreensão e empatia, aumentando a sensação de tristeza, depressão, falta de controlo, privação de sono e também poder desencadear trauma parental ou resposta ao stress.

Podemos ter algumas estratégias para minimizarmos o sofrimento das crianças e que os pais têm aí um papel preponderante: se a criança está a exigir mais atenção na hora de dormir, tente passar mais tempo de qualidade com ela durante o dia, possivelmente fazendo períodos de 10-15 minutos onde os pais se concentram inteiramente na criança.

Como se encontra a saúde mental das nossas crianças e o que os pais podem fazer

Desligue os canais de notícias quando crianças pequenas estiverem por perto. Eles ouvirão coisas ou verão imagens ou vídeos potencialmente assustadores.

Evite falar sobre a situação relacionada ao COVID com outros adultos ou irmãos mais velhos perto dos mais novos.

As crianças mais novas podem precisar de um pouco mais de abraços e carinhos do que as crianças mais velhas.

Estimule uma ou duas chamadas de vídeo para familiares, como forma de lembrar e construir relacionamentos com familiares e outros cuidadores.

Tente introduzir atividades distintas tais como a hora do livro / história, brincadeiras livres, atividades artísticas, algumas brincadeiras ativas como as escondidas, correr, pular num trampolim, copiar / imitar gestos faciais ou corporais da criança, andar de bicicleta e outras atividades motoras.


Mario Fortes

Mario Fortes

Neste momento tenho um projeto intitulado KidsTalentum onde brinco e trabalho competências sociais e emocionais com crianças, na natureza. Tenho programas de investigação com Recursos Humanos, sou investigador de Pós Doutoramento na ARDITI, e Professor Coordenador convidado na Universidade da Madeira.

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