Defendo a necessidade de um plano familiar de uso online que envolve reuniões familiares regulares para discutir tópicos online, verificação de privacidade, configurações, perfis e número de horas de utilização diária, sendo privilegiada a cidadania, os valores e um comportamento saudável e não punitivo.

Todos os dias vimos crianças e adolescentes em contacto online através das redes sociais e aplicações, sem que os adultos estejam conscientes dos perigos que as mesmas correm. Na última década o uso do telemóvel, dos tablets é algo que se banalizou na vida das crianças e dos adolescentes, falando mesmo a Organização Mundial de Saúde (OMS) num problema de saúde pública.

Uma significativa parte do dia das crianças e dos adolescentes é passada no mundo virtual completamente alheadas da vida social, que muitas das vezes já as incomoda, porque preferem socializar com colegas, amigos e seguidores, na visualização de fotografias e vídeos, como forma de se entreterem, tudo servindo para fazerem amigos virtuais, deixando mesmo de lado o cuidado que devem de ter com a sua intimidade.

Na atualidade as crianças destinam diariamente mais de 4 horas da sua vida a realizar qualquer ação nos seus perfis pessoais. A frequência com que acedem às redes sociais, na grande maioria é de dez ou mais vezes por dia.

Aproximadamente 75 % dos adolescentes possuem telefones móveis, 25% usam para redes sociais, 54% usam para mensagens de texto e 24% usam para mensagens instantâneas.

Assim, uma grande parte das redes sociais e o desenvolvimento emocional está a ocorrer na internet e nos telefones móveis.

Por causa de sua capacidade limitada de autorregulação e suscetibilidade à pressão dos pares, as crianças e os adolescentes correm algum risco, quando navegam e experimentam as redes sociais e os pais não podem ignorar estes riscos para poderem ter uma educação mais assertiva e evitar que os seus filhos se viciem e se tornem presas fáceis no mundo do crime digital.

É importante que se consciencializem que este tipo de plataformas acarretam riscos que se enquadram nas seguintes categorias: conteúdos inapropriados para crianças e adolescentes, falta de privacidade online; influências externas de grupos de publicidade de terceiros, depressão Facebook, formação de camarilha, assédio online, experimentação sexual, que introduziram problemas como cyberbullying, questões de privacidade e “sexting”.

A “depressão do Facebook”, definido como depressão que se desenvolve quando pré-adolescentes e adolescentes passam muito tempo nas redes sociais, como o Facebook, Instagram, sites, e depois começam a exibir sintomas clássicos de depressão.

Acredita-se que a intensidade do mundo online seja um fator que pode desencadear depressão em alguns adolescentes. Assim como acontece com a depressão offline, pré-adolescentes e adolescentes que sofrem de depressão no Facebook correm o risco de isolamento social e às vezes recorrem à internet arriscada, sites e blogs para “ajuda” que podem promover o abuso de substâncias, práticas sexuais inseguras ou comportamentos agressivos ou autodestrutivos.

Os vídeos e os jogos online devem ser muito controlados pelos pais porque demonstram um “potencial viciante”, pois existe a possibilidade de jogar em casa, com fácil acesso 24 horas por dia. Estão a começar a ser tratados como um problema de saúde pública, existindo a categoria de transtorno do jogo na internet (Internet Gaming Disorder). Sua inclusão na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) a oficializará e entrará em vigor a partir de um de janeiro de 2022. Isso significa que os países vinculados à OMS (mais de 196) deverão preparar diferentes tratamentos e medidas de suporte para o transtorno do jogo.

Os pais têm um papel fundamental e devem mesmo, começar a cumprir as leis para o uso das plataformas sociais, tal como a idade em que as crianças devem aceder a estas plataformas, que é os 13 anos, porque a lei de Proteção à Privacidade da Criança na Internet, proíbe os websites de promoverem informações sobre crianças menores de 13 anos sem permissão dos pais.

Os pais devem estar atentos à pratica diária dos seus filhos para terem a certeza, quais as aplicações que estão a aceder, quais os contactos que estão a realizar, se mentem ou dizem a verdade, porque a segurança das crianças é a principal mensagem a ser enfatizada. Têm um papel fundamental no diálogo com os seus filhos, demonstrando a melhor forma de utilizar certo tipo de aplicações e alertar para o perigo que as mesmas correm se não tiverem as devidas precauções.

Os pais devem ter uma maior participação em casa para se tornarem mais bem informados sobre as muitas tecnologias que os seus filhos estão a usar.

Defendo a necessidade de um plano familiar de uso online que envolve reuniões familiares regulares para discutir tópicos online, verificação de privacidade, configurações, perfis e número de horas de utilização diária, sendo privilegiada a cidadania, os valores e um comportamento saudável e não punitivo. Em caso necessário, os pais devem ter uma atitude de maior supervisão das atividades online e até mesmo procurar a ajuda de técnicos especializados ou frequentar formações de como lidar com este flagelo social.

Publicado em “O Jornal Económico“.


Mario Fortes

Mario Fortes

Neste momento tenho um projeto intitulado KidsTalentum onde brinco e trabalho competências sociais e emocionais com crianças, na natureza. Tenho programas de investigação com Recursos Humanos, sou investigador de Pós Doutoramento na ARDITI, e Professor Coordenador convidado na Universidade da Madeira.

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